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Mesa de abertura debate os desafios de cobrir a violência urbana no Rio de Janeiro

27 de nov. de 2025
2 min de leitura

Atualizado: 6 de dez. de 2025

Foto/Equipe Fotográfica Controversas
Foto/Equipe Fotográfica Controversas

Rodrigo Bressani


Cobrir o Rio de Janeiro é conviver com as dinâmicas de uma cidade que afeta e é afetada pelo trabalho jornalístico. A mesa de abertura do Controversas 2025, que marcou a 19ª edição e celebrou 15 anos do evento, discutiu como a imprensa lida com esses desafios de narrar conflitos armados, disputas territoriais e políticas de segurança pública em um dos contextos mais complexos do país.


A conversa, mediada pelas estudantes Lívia Mendes e Lara Batista, reuniu Fábio Gusmão, editor executivo do Extra (Editora Globo), detentor de prêmios como Esso, Embratel, Tim Lopes e Direitos Humanos de Jornalismo, e Bruno Quintella, documentarista, filho do jornalista investigativo Tim Lopes e diretor de “Onde está Tim Lopes?” (Globoplay) e "Tim Lopes – Histórias de Arcanjo", vencedor do Troféu Redentor.


Um Rio reduzido à violência? A imprensa no centro da disputa narrativa


A mesa começou com uma provocação recorrente: a mídia reforça a ideia de que o Rio de Janeiro é apenas violência?


Para Fábio Gusmão, compreender a especificidade do estado é indispensável: “A gente vive em um estado que tem peculiaridades que nenhum outro tem. O jornalismo profissional tem que ouvir todos os lados na cobertura de violência.”


Ele lembrou a megaoperação no Complexo do Alemão, em 2010, quando parte da imprensa decidiu não entrar no território por risco extremo. Gusmão, no entanto, subiu o morro após ouvir relatos dos moradores: “Não fiz acordo com ninguém, fiz acordo com o jornalismo. Hoje há uma epidemia de não querer ir para a rua. Se você for um jornalista preguiçoso, fica com a versão oficial. Se for jornalista raiz, vai atrás dos fatos”, contou.

 

Em campo ou à distância? A apuração diante da insegurança


A discussão avançou para a dificuldade de apuração em áreas sob disputa de forças armadas do estado e de grupos criminosos. A mediação apontou que os moradores tornam-se fontes centrais, mas não deveriam substituir a presença do repórter em território.

Segundo Bruno Quintella, “o jornalista perdeu as manhas da apuração na rua, no local. A imprensa precisa se reinventar.” Quando questionado sobre civis que se tornam fontes e desejam ser identificadas mesmo sob risco, Gusmão foi direto: “Uma vida é inegociável.”


Quando a história atravessa o repórter: memória e luto como matéria


Perguntado sobre o processo de produzir obras sobre a morte de seu pai, o jornalista investigativo Tim Lopes, Quintella revelou que não foi fácil. Ele refletiu sobre o ato de investigar e narrar um trauma pessoal que também é um marco da história do jornalismo brasileiro, defendendo o documentário como ferramenta de memória e responsabilização.


Encerramento: jornalismo que não pode abrir mão da rua


No encerramento, ficou claro, pela visão dos debatedores, que a cobertura da violência urbana não se esgota nas estatísticas ou despachos oficiais: ela exige presença, escuta plural e compromisso ético. Gusmão sintetizou a responsabilidade profissional, “precisamos estar onde os fatos estão acontecendo”.


A abertura do Controversas 2025 reafirmou o sentido de sua trajetória: refletir sobre práticas jornalísticas que não ignoram as tensões da cidade, mas os transformam em rigor investigativo e responsabilidade pública.

 
 
 

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