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Da UFF para o mercado: ex-alunos compartilham percursos, desafios e conselhos na mesa “Prata da Casa”

27 de nov. de 2025
4 min de leitura

Atualizado: 6 de dez. de 2025


Foto/Tiago Joffily
Foto/Tiago Joffily

Rodrigo Bressani


A travessia entre a universidade e o mercado de trabalho costuma ser confusa, cheia de improvisos e marcada por descobertas inesperadas. A mesa “Prata da Casa”, realizada no dia 13 de novembro e mediada pelos alunos Karinee Klein e Jerson Mello, mostrou aos estudantes exatamente isso: o início profissional é torto, mas totalmente possível — e ninguém precisa estar pronto para começar.


Participaram Roberto Malfacini (O Globo), Letícia Merotto (Comitê Olímpico do Brasil), Marcella Paloma (Instituto Burburinho/PPGMC), Pamela Dias (O Globo) e Maria Eduarda Costa (Alerj/IAB). Todos deixaram a UFF há poucos anos e já acumulam experiências muito diferentes dentro da comunicação.


Começos improváveis — e completamente reais


Os convidados compartilharam inícios profissionais que raramente seguem o roteiro esperado. Grande parte começou a trabalhar em plena pandemia, quando a rotina ainda era remota e o mercado tentava se reorganizar.


Roberto Malfacini começou na comunicação institucional e contou que precisou enfrentar sua própria timidez: para ele, “feedback não fere a honra de ninguém”, e entender isso foi essencial para crescer na redação.


Pamela Dias viveu um processo semelhante, aprendendo a apurar e escrever para o Globo sem sair de casa. Já Letícia Merotto teve talvez o começo mais inesperado: conseguiu seu primeiro trabalho enviando um direct no Instagram para uma página de basquete. Tentou redação, “não curtiu”, e descobriu que sua paixão era a televisão.


Maria Eduarda Costa, por sua vez, encontrou o primeiro estágio no Google e disse que simplesmente “enviou currículo para tudo o que aparecia”. E Marcella Paloma iniciou na Fundação Municipal de Educação, em meio às incertezas da pandemia. Ela contou que  que viveu uma fase em que “parecia que nada ia surgir — até que surgiu”. O que ficou claro é que nenhum deles começou com segurança ou certezas. Começaram como dava — e isso abriu caminhos.


Os desafios que moldam a carreira


Quando falaram sobre seus maiores desafios, todos apontaram situações que exigiram maturidade emocional, coragem e iniciativa. Letícia relatou a intensidade de cobrir a Olimpíada de Paris desde o Brasil, ajustando sua rotina ao fuso francês. Segundo ela, “foi muito intenso, mas também muito transformador”.


Maria Eduarda descreveu a experiência de trabalhar na Alerj sem “padrinho”, algo comum no ambiente político. Durante a troca de gestão, decidiu se apresentar à nova chefia para expressar que queria continuar. Sua coragem foi determinante — e ela só soube disso meses depois, quando ouviu que a iniciativa foi o principal motivo para sua contratação.


Marcella contou sobre o impacto de atuar em projetos com adolescentes negras no Instituto Burburinho, o que ampliou sua noção de responsabilidade social no jornalismo. Roberto reforçou a importância de fazer conexões e de não se esconder atrás da vergonha:


“A gente cresce quando encara a timidez e entende que o jornalismo é relação”.

Já Pamela destacou o desafio de trabalhar na coluna de Lauro Jardim, um dos jornalistas mais influentes do país. Entrou sem ter as fontes políticas necessárias para o trabalho e precisou se adaptar rapidamente. Ela disse que, apesar do medo inicial, a coluna tem sido seu “maior desafio e, ao mesmo tempo, a melhor experiência da vida”.


O que a UFF deixa — e o que ainda poderia ter oferecido


Sobre a UFF, os cinco mencionaram um tipo especial de saudade: a falta da liberdade estudantil, do tempo menos acelerado do período de faculdade e da possibilidade de experimentar sem as consequências que o mercado de trabalho impõe.


Letícia comentou que sente falta “das possibilidades da universidade” e Maria Eduarda falou sobre a falta do “direito de dizer ‘hoje eu não vou’”. Já Roberto mencionou a tranquilidade e, sobretudo, os amigos.


Ao olhar para trás, identificaram lacunas na formação: gostariam de ter tido mais contato com redes sociais, marketing digital, jornalismo esportivo, assessoria de imprensa e gramática aplicada ao texto jornalístico. Mesmo assim, todos reconheceram que a UFF oferece algo que o mercado não dá: vínculos, liberdade e espaço para errar.


Conselhos sinceros para quem está começando


A parte final da mesa se transformou em um mosaico de conselhos práticos — a maioria nascida de erros, tentativas e sustos.


Maria Eduarda incentivou os estudantes a não terem medo de tentar: “Façam networking. Sejam caras de pau — tímidos arrojados.”  Letícia lembrou que atitude abre portas: muitos jovens “se subestimam”, quando na verdade têm capacidade, enquanto Marcella ressaltou que muitas vezes é preciso se lançar antes de saber tudo: “Vai e faz. Depois você aprende.”


Ela reforçou a importância de trocar com professores e criar projetos com colega, já Roberto lembrou que a carreira é construída com relações e com disposição de ouvir: “Aceitem o feedback. Estamos todos aprendendo.”


A mesa “Prata da Casa” mostrou que começar a carreira não é sobre estar pronto, mas sobre estar disposto. Os cinco ex-alunos voltaram à UFF para lembrar aos estudantes que o mercado é desafiador, mas não inacessível — e que as trajetórias, mesmo cheias de desvios, são construídas passo a passo.


Guiado por Karinee Klein e Jerson Mello, o encontro deixou um recado reconfortante: ninguém precisa saber tudo para começar; precisa apenas ter coragem para tentar — e gente ao lado para aprender junto.

 

 
 
 

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