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Controversas debate jornalismo “não muito sério”, mercado em ascensão para novos profissionais

27 de nov. de 2025
2 min de leitura

Foto/Pedro Perreira
Foto/Pedro Perreira

 Tiago Joffily

 

Os jornalistas presentes na terceira mesa de debates do Controversas 2025 defenderam o uso do humor como uma ferramenta fundamental para informar o espectador, na atualidade. Os convidados avaliaram que o uso do jornalismo clássico, envolvendo uma narrativa mais séria, pode não ser a única maneira para que a informação seja realmente apreendida, e que os recursos do humor podem ajudar a “suportar uma realidade não favorável” como a que vivemos. A bancada, sob o título “Jornalismo e humor: o poder do riso em tempos de exaustão”, teve a presença de Leonardo Lanna e Nelito Fernandes, ambos fundadores do jornal O Sensacionalista; da atriz e repórter Tatá Lopes; e do cartunista Mário Alberto, do Globo Esporte.

 

Leonardo Lanna disse que essa modalidade de jornalismo “não muito sério” compõe uma proposta moderna de comunicação que escancara uma realidade contemporânea difícil de sustentar, muito referenciada pela bancada no popular Meia-Hora, jornal tradicional de circulação no Rio de Janeiro. Lanna também defendeu o modelo como uma atualização das práticas jornalísticas.

 

Para ele, o humor é historicamente alinhado às classes mais altas e muitas vezes serviu para difamar e desvalorizar as classes oprimidas, mas isso vem mudando. Com as novas formas de fazer jornalismo, “rir do opressor” se tornou uma prática possível.  Tatá Lopes também segue essa linha quando diz que não há mais espaço para humorista que “não tem distanciamento ao olhar um objeto que está sendo humorizado” e atribui isso a um modo antiquado de noticiar um assunto.

 

Uma pergunta que não quer calar

 

O recurso do humor na comunicação digital tornou-se uma ferramenta muito forte de difusão de notícias, propaganda política e marketing. A ampla discussão entre os jornalistas os levou a fazer um levantamento da eficácia do humor para penetrar nos discursos sociais e viralizar em redes. Mário Alberto reconhece que “o riso vem antes do pensamento” e esse efeito genuíno do humor em suas produções é o que fica marcado na memória do leitor.

 

Um dos exemplos que evidencia esse poder do riso no jornalismo, e que foi citado pela mesa, é o caso do comediante Léo Lins, condenado a 8 anos e 3 meses de prisão pelo conteúdo do seu especial de comédia “Perturbador”, lançado em 2023. Esse caso levou as mediadoras Ana Carolina Ferreira e Ana Clara Nascimento a questionarem “qual é o limite do humor?”. A bancada concordou, por unanimidade, com a resposta direta de Tatá Lopes: “o limite do humor é o quadro penal”. Nelito Fernandes complementou: “Humor é fruto de um pacto social, não é um passaporte para falar o que quer”.

 

O riso vem de dentro

 

Os quatro jornalistas presentes também tiveram espaço para contar um pouco sobre como é trabalhar com humor. Mário Alberto destacou que as principais diferenças do jornalismo tradicional para o chargista aparecem no espaço que cada linguagem tem com aspectos mais subjetivos: “O chargista é um jornalista gráfico, mas sem apagar a própria paixão. Ter distanciamento é importante, mas é preciso conseguir mediar o trabalho e a paixão”.  

 

Leonardo Lanna também compartilhou que as suas motivações para se tornar um jornalista de humor vieram da sua maneira de observar o mundo, já que sempre encaixou o riso naturalmente nas suas produções.

 
 
 

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